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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Eu-lírico

Antes de mais nada, um aviso... este blog não é um divã!

Eu, enquanto autora, sou uma artista. Visto, a cada texto, um personagem. Assumo, a cada assunto, um ponto de vista [não que só veja daquele ponto, mas pela liberdade de explorar as possibilidades de se ver].

Este blog mostra de mim as facetas. Não todas, apenas aquelas por cuja conveniência sou impelida a mostrar.

A cada texto reinvento, reescrevo, reencontro. Sou grata à literatura porque me permite viver as faces de um "eu" que não é meu, um outro, alguém... Meu eu [só que lírico].

Não desejo desapontar os que bondosamente fazem de minhas postagens mais uma oportunidade de distribuir conselhos mas torna-se inevitável pensar, sempre que recebo comentários do gênero, que ainda não tornei suficientemente claro que este blog é literário.

Onde foi que eu errei?

P.S.: os que ainda assim estão se coçando para tentar me encorajar [um paliativo]
eu peço gentilmente que avaliem e critiquem a construção deste texto
para saber onde está a falha na transmissão da minha mensagem.
A sutil [e sublime] diferença entre dar o peixe e ensinar a pescar...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

As coisas como são...

A palavra exprimia a coisa. E era um tempo onde tudo tinha um nome. Tempo remoto, quase místico, em que não havia distinção entre as expressões e o que elas significavam e cada coisa era conhecida por um nome diferente, singular.

Não, não é um mito, tampouco crendices do folclore. Esse tempo realmente existiu! O tempo em que as palavras serviam para dizer algo e havia uma vastidão de possibilidades. O vocabulário era extenso, imenso, infindável. E escrever parecia uma arte porque contemplava a combinação de letras, sons e sentidos e para escolher os termos certos era preciso uma seleção rigorosa, um ajuste do que estava sendo dito ao que se estava tentando dizer. Tudo era milimetricamente calculado, revisto, pensado.

Mas, devido à correria do dia-a-dia, em nome da otimização de resultados (falava-se bastante em automação robótica à época) muitos introduziram em seu linguajar um termo curinga, polivalente, generalizante, que significava um pouco de tudo, e ao mesmo tempo, nada. Foi então que em vez da palavra definir a coisa, a coisa passou a substituir as palavras. Tsc, tsc, tsc, nunca mais os gramáticos dormiram em paz...


P.S.: eu agradeço à GI pelas dicas na revisão desta coisa que antigamente chamávamos texto! Valeu, Gi!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

As classes humanas (ou facetas de mim)

Para a minha mãe,
sou substantivo...
Para o meu ofício,
um advérbio...
No meu trabalho,
preposição...

Para a rotina,
um simples verbo...
Para os não-íntimos,
mero pronome!
Para os amigos,
eu sou o artigo...
Na minha família,
a conjunção...

P'ros inimigos,
adjetivos...
Nas instituições,
um numeral...
Para quem me adora,
interjeição!


Todos os filósofos da existência dedicaram-se a entender o sentido da vida e alguns morreram sem saber que não existe nem nunca existirá unidade no homem. Só o que existem são classes de palavras (e a possibilidade estonteante de atribuir sentido a nós mesmos diante de cada uma delas).


.

Sejam bem-vindos ao facetas!

................TODOS OS TEXTOS DESSE BLOG SÃO AUTORAIS............

Resolvi utilizar este espaço para divulgação de trechos de alguns trabalhos meus... Espero que vocês apreciem. Críticas e comentários serão muito bem-vindos, sobretudo críticas!

Se você já leu o texto acima não fique tímido: fique à vontade para comentar em outras postagens!